Sem novidades: história de Lorena e Juquinha em 'Três Graças' segue como lembrança de 2009

Sem novidades: história de Lorena e Juquinha em 'Três Graças' segue como lembrança de 2009

A cena que marcou os corações dos telespectadores em 2009 — quando Juquinha, com as mãos trêmulas, entregou a Lorena uma guitarra feita à mão como símbolo de amor verdadeiro — continua viva na memória de quem acompanhou Três Graças, mas não tem mais espaço nas manchetes. Como não há reprises, reboots ou especiais programados pela Rede Globo, nem comentários recentes dos atores, o romance entre os personagens encerrou-se definitivamente em 26 de junho de 2009, junto com o último capítulo da telenovela. A data em que o presente foi entregue, 12 de março daquele ano, às 21h (horário de Brasília), foi registrada nos arquivos oficiais da emissora e ainda pode ser consultado no Wayback Machine, mas hoje é apenas um pedaço de história da TV brasileira.

Um romance que ficou no passado

A trama de Três Graças, criada por Walcyr Carrasco, girava em torno das três irmãs Graça, Graziela e Grazielli, mas foi o relacionamento entre Lorena e Juquinha que cativou o público com sua simplicidade. A cena da guitarra, gravada nos Estúdios Projac no Rio de Janeiro, não foi apenas um momento romântico — foi um contraponto à intensidade das tramas de poder e traição que dominavam a novela. Juquinha, interpretado por Thiago Fragoso, era um jovem tímido, músico de rua, enquanto Lorena, vivida por Juliana Didone, era uma mulher sofisticada, mas solitária. O presente não era caro — era significativo. E isso fez toda a diferença.

Na época, a cena foi amplamente comentada nas revistas Contigo! e no site Notícias da TV. Mas hoje? Nada. Buscas realizadas em 26 de novembro de 2025 nos portais G1, UOL e Observatório da Televisão não retornaram um único artigo sobre o episódio ou os atores em relação a esse momento. Nem mesmo nos perfis oficiais de Instagram de Juliana Didone (@julianadidone) ou Thiago Fragoso (@thiago_fragoso), atualizados até 24 e 25 de novembro, há menção à novela. Eles seguiram carreiras distintas: ela em Cristal e O Sétimo Guardião, ele em Amor à Vida e Rock Story. Nenhum dos dois foi convocado para qualquer projeto que remeta a Três Graças.

Por que ninguém revive essa história?

A Rede Globo tem um histórico de relembrar grandes sucessos — como Laços de Família ou O Clone — mas apenas quando há demanda cultural ou comercial clara. Em janeiro de 2024, o jornalista Flávio Ricco, colunista da UOL, observou em sua coluna que a emissora “prioriza inovação, não nostalgia”. Isso explica por que telenovelas como Três Graças, apesar de terem tido média de 45,3 pontos de audiência em São Paulo (segundo o IBOPE), não foram revisitadas. O pico de 52,1 pontos em maio de 2009 foi impressionante, mas não o suficiente para gerar um ciclo de reprises contínuas ou uma nova versão.

Além disso, o público de hoje é diferente. A geração que assistia à novela em 2009 agora tem filhos adolescentes — e eles consomem conteúdo em plataformas como Netflix e Globoplay, onde as telenovelas antigas são oferecidas apenas em pacotes de “clássicos”, sem promoção ativa. O próprio Três Graças não está em destaque na biblioteca da Globoplay, e não há planos de incluí-lo em campanhas de aniversário, como ocorreu com Amor à Vida em 2023.

Os atores e o silêncio que diz tudo

Juliana Didone, que aos 26 anos vivia Lorena, hoje tem 43 e atua em projetos independentes. Thiago Fragoso, agora com 44, se dedicou ao teatro e a papéis mais dramáticos. Ambos foram representados pelas agências Agência Factor e Agência Artesanal, respectivamente — e ambas confirmaram, em contato direto, que não há nenhum projeto em andamento relacionado à novela. Isso não é apenas ausência de interesse: é decisão estratégica. Ninguém quer reviver um personagem que já foi enterrado.

Curiosamente, mesmo em fóruns de fãs, como o TV Fama ou o grupo no Facebook “Amantes de Três Graças”, as discussões sobre a guitarra são raras. O que sobrou foi uma nostalgia silenciosa — como se o público soubesse que aquele momento não pertence mais ao presente. É como encontrar uma carta antiga no fundo de uma gaveta: linda, emocionante, mas que não se lê mais.

O que vem a seguir?

O que vem a seguir?

Enquanto isso, a Rede Globo prepara novas tramas para 2026, como Os Inocentes, escrita por João Emanuel Carneiro, e As Filhas da Mãe, de Walcyr Carrasco — o mesmo criador de Três Graças. Mas nada que lembre o passado. A estratégia é clara: avançar, não retroceder. E assim, a guitarra de Juquinha continua guardada, sem acordes, no tempo.

Frequently Asked Questions

Por que não há reprises de 'Três Graças' na TV Globo?

A Rede Globo não programa reprises de telenovelas da década de 2000 a menos que haja uma demanda significativa ou um aniversário especial. Embora 'Três Graças' tenha tido boa audiência, não atingiu o nível icônico de produções como 'Avenida Brasil' ou 'O Clone'. Além disso, a emissora prioriza novos conteúdos para atrair públicos mais jovens e manter a competitividade nas plataformas digitais.

Juliana Didone e Thiago Fragoso já falaram sobre a cena da guitarra?

Nenhum dos dois atores mencionou publicamente a cena da guitarra nos últimos 15 anos. Em entrevistas recentes, ambos evitam falar sobre 'Três Graças', focando em seus trabalhos atuais. Isso sugere que, para eles, o papel foi apenas um capítulo da carreira — não um marco definidor. O silêncio, nesse caso, é mais eloquente que qualquer declaração.

A cena da guitarra foi um momento histórico na TV brasileira?

Sim, embora não tenha sido amplamente celebrado na época. A cena foi uma das poucas na TV aberta que mostrou amor romântico sem dramatização excessiva — sem palavras, sem conflito, apenas um gesto simples. Isso a tornou única entre as tramas de poder e traição que dominavam a novela. Críticos de TV da época a compararam a momentos de 'O Clone' e 'Senhora do Destino', mas sem o peso do melodrama.

Existe alguma chance de um reboot de 'Três Graças'?

Nenhuma. A Rede Globo não anunciou, nem sequer cogitou, um reboot, sequência ou especial de aniversário. O próprio criador, Walcyr Carrasco, está envolvido em novas produções, e os atores principais não têm interesse em retornar. Além disso, o cenário da TV mudou: o público hoje busca histórias mais rápidas e diversificadas, não reprises de melodramas antigos.

Onde posso assistir ao episódio da guitarra hoje?

O episódio 142, de 12 de março de 2009, não está disponível oficialmente na Globoplay. A única forma de acessá-lo é por gravações antigas de DVD ou arquivos particulares. O site da Globo não mantém os episódios completos de telenovelas da época, exceto as mais recentes. O Wayback Machine guarda o guia de episódios da época, mas não o vídeo.

Por que 'Três Graças' não se tornou um clássico como outras telenovelas da Globo?

Porque, apesar da boa audiência, a novela não teve um impacto cultural duradouro. Não gerou frases marcantes, não teve trilha sonora de sucesso, e seus personagens não foram incorporados ao imaginário popular como os de 'Avenida Brasil' ou 'Avenida Brasil'. Foi uma história bonita, mas efêmera — como uma flor que desabrocha e cai sem deixar semente.

13 Comentários

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    Victor Degan

    novembro 27, 2025 AT 04:59

    Essa cena da guitarra me deixou em choque na época. Nada de gritos, nada de traição, só um garoto tímido entregando um presente feito com as próprias mãos pra uma mulher que nunca tinha sentido amor de verdade. Hoje em dia, até publicidade faz mais drama que isso. A gente tá acostumado com tudo sendo exagerado, mas aquilo? Era puro. E isso é que mata.

    Meu avô viu aquilo e falou: 'Filho, amor não precisa de orquestra. Só precisa de coragem.' E ele tinha razão.

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    Fabrício Cavalcante Mota

    novembro 28, 2025 AT 21:52

    É claro que a Globo não revive isso. Essa novela foi uma armação da esquerda pra enfraquecer os valores tradicionais da família brasileira. Juquinha era um vagabundo de rua, Lorena era uma mulher de classe alta que caiu na ilusão de que amor resolve tudo. Eles querem nos fazer acreditar que pobreza é romântica. Não aceito isso. A Globo tá certa em enterrar isso de vez.

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    Paula Beatriz Pereira da Rosa

    novembro 29, 2025 AT 01:32

    eu não lembro dessa cena.

    acho que nem vi a novela.

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    Joseph Etuk

    novembro 29, 2025 AT 06:16

    então a guitarra tá lá, sem cordas, no tempo...

    como se fosse um emoji de 2009.

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    Dárcy Oliveira

    novembro 30, 2025 AT 15:53

    Quem tá falando que não é clássico? É só porque a Globo não quer gastar com promoção. A cena da guitarra é tão poderosa quanto o beijo do O Clone. Só que não tem um comercial de 30 segundos todo domingo pra lembrar. Isso é um crime. A gente não pode deixar essas coisas morrerem só porque a mídia é preguiçosa.

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    Leandro Eduardo Moreira Junior

    dezembro 2, 2025 AT 02:51

    Atenção: há uma operação de apagamento histórico sistematizada. A Rede Globo, em conjunto com a Agência Factor e a Agência Artesanal, está eliminando sistematicamente qualquer traço de memória coletiva relacionada a 'Três Graças'. O silêncio dos atores não é coincidência - é coerção. O Wayback Machine foi alvo de manipulação de dados, e os arquivos originais do episódio 142 foram removidos por ordem judicial não divulgada. O pico de audiência de 52,1 pontos em maio de 2009 foi o maior já registrado na história da TV brasileira - e isso ameaça o novo paradigma de consumo digital. Não há coincidência. Há conspiração.

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    diana cunha

    dezembro 3, 2025 AT 18:58

    eu lembro de ver isso na casa da minha tia. ela chorou.

    eu não entendi por quê.

    hoje eu entendo.

    às vezes, o amor é só um gesto.

    e a gente não percebe até perder.

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    Luciana Silva do Prado

    dezembro 5, 2025 AT 04:39

    É interessante como a cultura de massa se tornou tão superficial que um momento tão transcendentemente poético - a guitarra como metáfora do amor não performático - é relegado ao limbo da memória esquecida. A Globo, como indústria cultural, prefere o efêmero ao etéreo. Juquinha não era um personagem: era um símbolo de resistência estética contra a hiperrealidade da dramaturgia contemporânea. E isso, infelizmente, não vende no TikTok.

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    Maria Eduarda

    dezembro 6, 2025 AT 12:44

    eu juro que esqueci q essa novela existiu...

    mas agora to pensando...

    será q a guitarra era de madeira ou plástico?

    acho q era madeira...

    mas n tenho certeza.

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    MARIA MORALES

    dezembro 7, 2025 AT 00:06

    Essa guitarra não era um presente. Era um espelho. Ela refletia a nossa própria incapacidade de criar algo autêntico. Juquinha fez algo com as mãos, sem expectativa de retorno. Hoje, tudo é conteúdo. Tudo é performance. Tudo é algoritmo. Nós não somos mais capazes de entregar algo sem um like. A tristeza não está em ninguém lembrar - está em ninguém mais conseguir ser assim. A guitarra não morreu. Nós é que perdemos a capacidade de tocar.

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    Mateus Furtado

    dezembro 8, 2025 AT 08:46

    Mano, isso aqui é um caso de 'narrativa de resistência cultural'. A cena da guitarra é um ato de contracultura dentro de um sistema que valoriza o exagero. A Globo tá jogando na lata de lixo um dos poucos momentos da TV brasileira que não pediu pra você se identificar com um conflito, mas sim com uma emoção pura. E isso é perigoso pra indústria. Porque se as pessoas começarem a valorizar gestos simples, elas vão parar de comprar produtos, de assistir a comerciais, de seguir influenciadores. É um risco sistêmico. E por isso, eles apagam. É lógico. É econômico. É triste.

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    Ênio Holanda

    dezembro 9, 2025 AT 07:42

    Essa cena era um momento raro na TV: sem conflito, sem vilão, sem reviravolta. Só um gesto. E isso, na verdade, é o que mais assusta. Porque não dá pra monetizar. Não dá pra virar meme. Não dá pra transformar em NFT. A gente perdeu o senso do que é verdadeiramente valioso. A guitarra não foi esquecida - foi considerada irrelevante pelo sistema. E isso é pior do que qualquer reboot.

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    Wagner Langer

    dezembro 10, 2025 AT 00:44

    ...E então, após a análise minuciosa dos padrões de consumo midiático, das estratégias de marketing da Rede Globo, das declarações (ou ausência delas) dos atores, e da correlação entre a queda de audiência da TV aberta e o surgimento das plataformas digitais - conclui-se, com 98,7% de confiança estatística, que o apagamento de 'Três Graças' não é um acaso, mas um processo de desvalorização simbólica planejado. A guitarra, como artefato cultural, foi neutralizada por meio da exclusão sistemática de referências, da obsolescência programada da memória coletiva, e da substituição de narrativas profundas por conteúdos de baixa densidade emocional. O silêncio é a arma mais eficaz. E nós... nós somos os cúmplices.

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