Polícia Civil do Piauí prende DJs influenciadores na Operação Jogo Sujo III

Polícia Civil do Piauí prende DJs influenciadores na Operação Jogo Sujo III

Na quinta‑feira, 25 de setembro de 2025, a Polícia Civil do Piauí deu início à terceira fase da Operação Jogo SujoTeresina, alvo de influenciadores que lucravam com apostas ilegais nas redes sociais.

Contexto da Operação Jogo Sujo

O combate às apostas não autorizadas ganhou força em 2023, quando o Ministério da Fazenda começou a fiscalizar plataformas digitais que operavam à margem da lei. Desde então, o Departamento de Repressão aos Crimes Cibernéticos (DRCC), em parceria com a Superintendência de Operações Integradas (SOI), vem desmantelando esquemas que utilizam influenciadores digitais como porta‑voz.

A primeira fase, lançada em junho de 2024, resultou na prisão de oito pessoas. A segunda, em outubro de 2024, trouxe mais oito detenções, mas alguns dos acusados foram soltos após poucos dias, gerando críticas sobre a eficácia das medidas.

Detalhes da terceira fase e prisões

Na operação de 2025, foram cumpridos oito mandados simultaneamente nas zonas Norte, Sul e Leste da capital. Entre os alvos, destacam‑se quatro influenciadores: Nayanna Fonseca, Maria Vitória Lima, conhecida como DJ Latina Gold, Domingos Ferreira, apelidado de DJ Loboox, e Therccya Ribeiro.

Segundo o DRCC, os quatro influenciadores movimentaram cerca de R$ 30 milhões nos últimos dois anos. A DJ Latina Gold, que acumula mais de 153 mil seguidores no Instagram, teria arrecadado quase R$ 14 milhões entre 2023 e 2025, usando contas‑demo para criar a ilusão de ganhos fáceis. Seu namorado, DJ Loboox, também tinha mais de 19 mil seguidores e colaborava nas campanhas de marketing digital.

O delegado Alisson Landim, responsável pelo DRCC, declarou: “A partir da investigação, concluímos que a operação era necessária para coibir a indução ao erro e a promoção ilegal de jogos de azar, bem como a lavagem de dinheiro associada”.

Durante as buscas, a polícia apreendeu veículos, smartphones, notebooks e documentos que comprovam a existência de contas bancárias offshore usadas para lavar os lucros.

Reações das autoridades e das plataformas digitais

O coordenador do DRCC, delegado Humberto Mácola, alertou os internautas: “Desconfie de promessas de ganhos fáceis por meio de jogos de azar; essas práticas são armadilhas financeiras”. Ele ainda enfatizou que o Ministério da Fazenda ainda não autorizou nenhuma das plataformas divulgadas pelos influenciadores.

Representantes de redes sociais como Instagram e TikTok ainda não responderam oficialmente ao caso, mas há indícios de que as contas dos acusados foram sinalizadas para remoção de conteúdo proibido.

Impactos para os influenciadores e para o público

Impactos para os influenciadores e para o público

Após cinco dias de detenção, a DJ Latina Gold foi liberada, mas a polícia solicitou a prorrogação das prisões de Nayanna Fonseca, Domingos Ferreira e Therccya Ribeiro. Advogados de defesa alegam que ainda não há provas conclusivas de participação direta nas apostas, embora as provas de movimentação financeira sejam contundentes.

Para os seguidores, a operação levanta dúvidas sobre a responsabilidade dos criadores de conteúdo. Entre 2022 e 2024, um levantamento da Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (IDEC) apontou que 27 % dos usuários de apostas online foram induzidos a participar por meio de influenciadores digitais.

Especialistas em direito cibernético, como a professora Claudia Barbosa da Universidade Federal do Piauí, afirmam que o caso pode servir de precedente para novas legislações que ampliam a responsabilidade civil de quem promove serviços ilícitos nas redes.

Próximos passos da Polícia Civil do Piauí

O DRCC informa que a investigação continuará com foco em desarticular redes de pagamento que facilitam a lavagem de dinheiro. Também está prevista a criação de uma força‑tarefa especializada em rastreamento de contas‑demo, que têm sido ferramenta chave para enganar investidores.

Enquanto isso, a Secretaria de Segurança Pública do Piauí lançou uma campanha educativa nas escolas e universidades, com o objetivo de alertar jovens sobre os riscos das apostas não regulamentadas.

  • Data da operação: 25/09/2025
  • Local: zonas Norte, Sul e Leste de Teresina
  • Prisões: Nayanna Fonseca, Maria Vitória Lima (DJ Latina Gold), Domingos Ferreira (DJ Loboox), Therccya Ribeiro
  • Montante movimentado: aproximadamente R$ 30 milhões
  • Lucro estimado da DJ Latina Gold: R$ 14 milhões (2023‑2025)

Frequently Asked Questions

Como a Operação Jogo Sujo afeta os usuários de apostas online?

A operação expõe que muitas plataformas anunciadas por influenciadores não são reguladas pelo Ministério da Fazenda, o que significa que os usuários ficam vulneráveis a fraudes e à perda de dinheiro sem proteção legal. A prisão dos promotores digitais serve como alerta para que os consumidores exijam transparência e verifiquem a legalidade antes de apostar.

Quem são os principais influenciadores envolvidos?

Os alvos da terceira fase são Nayanna Fonseca, Maria Vitória Lima (DJ Latina Gold), Domingos Ferreira (DJ Loboox) e Therccya Ribeiro. Todos eles usavam perfis no Instagram e TikTok para divulgar sites de apostas ilegais, atraindo seguidores com promessas de ganhos rápidos.

Qual foi o papel da Polícia Civil do Piauí na investigação?

A Polícia Civil do Piauí, por meio do DRCC e da SOI, coordenou buscas em oito endereços, confiscou bens e coletou evidências digitais que comprovaram a existência de contas‑demo e fluxos financeiros suspeitos, resultando nas prisões e nas apreensões de veículos e dispositivos eletrônicos.

Quais são as possíveis consequências jurídicas para os influenciadores?

Eles podem ser processados por crime de organização criminosa, lavagem de dinheiro e promoção ilegal de jogos de azar, o que pode levar a penas que variam de 4 a 12 anos de reclusão, além de multas elevadas. O futuro das acusações ainda depende da produção de provas adicionais sobre as transações bancárias.

O que o governo pretende fazer para prevenir novos casos?

A Secretaria de Segurança Pública do Piauí lançou campanha educativa e está avaliando a criação de legislação estadual que possa responsabilizar digitalmente os promotores de jogos não licenciados, bem como fortalecer a cooperação com o Ministério da Fazenda para fechar sites suspeitos.

9 Comentários

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    Andreza Tibana

    outubro 3, 2025 AT 02:58

    Olha só quem caiu na rede, os DJs que vendiam sonho de dinheiro fácil. Eles achavam que o Instagram era um banco e que seguidores eram clientes. Agora tão lá, na delegacia, sem nem poder postar story. Moral da história: não acredita em promessas de lucro rápido de quem só quer fama.

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    Rodrigo Júnior

    outubro 20, 2025 AT 00:34

    É imprescindível que os criadores de conteúdo compreendam a responsabilidade legal ao divulgar serviços financeiros. A legislação vigente estabelece punições severas para a promoção de jogos de azar não licenciados, conforme o Código Penal. Recomendo que os influenciadores busquem orientação jurídica antes de divulgar qualquer plataforma de apostas. Além disso, a população deve ser orientada a verificar a autorização do Ministério da Fazenda antes de investir.

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    Marcus Sohlberg

    novembro 5, 2025 AT 21:10

    Quando a polícia começa a prender DJs, o que realmente está acontecendo é um jogo de xadrez invisível. Eles não estão simplesmente combatendo apostas, mas desmascarando um esquema onde o Estado é só peça de apoio. Cada conta‑demo é um fantasma que alimenta a ilusão de riqueza instantânea. Não se engane, as marionetes digitais são manipuladas por poderes que preferem operar nas sombras.

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    Samara Coutinho

    novembro 22, 2025 AT 18:46

    Ao analisar a Operação Jogo Sujo III, percebemos que estamos diante de um fenômeno que ultrapassa os limites da mera criminalidade financeira. Primeiro, a influência dos chamados "DJs" revela a profunda vulnerabilidade da sociedade contemporânea frente ao discurso do imediatismo. Em segundo lugar, a estrutura de contas‑demo demonstra uma engenharia social sofisticada, que se alimenta da confiança cega depositada nas redes. Terceiro, as cifras movimentadas – cerca de trinta milhões de reais – revelam um ecossistema de lavagem de dinheiro que exige resposta coordenada entre autoridades federais e estaduais. Quarto, a emissão de alertas por parte dos delegados indica uma tentativa de conscientização que, porém, ainda não alcançou a amplitude necessária. Quinto, a reação dos seguidores, ao se verem enganados, pode gerar desconfiança generalizada nas plataformas digitais. Sexto, o impacto psicológico nos jovens, que veem o sucesso fácil como meta de vida, requer intervenções educativas nas instituições de ensino. Sétimo, a falta de respostas oficiais do Instagram e TikTok evidencia lacunas regulatórias que precisam ser preenchidas. Oitavo, a jurisprudência ainda carece de precedentes que responsabilizem diretamente os influenciadores por atos ilícitos. Nono, a proposta de criar uma força‑tarefa especializada é um passo promissor, porém necessita de recursos adequados. Décimo, a campanha da Secretaria de Segurança Pública pode ser ampliada com parcerias universitárias para pesquisa de risco. Décimo‑primeiro, a mídia tem um papel crucial ao disseminar informação clara e não sensacionalista. Décimo‑segundo, a sociedade civil deve organizar grupos de denúncia para monitorar práticas suspeitas. Décimo‑terceiro, a colaboração internacional pode revelar fluxos de dinheiro offshore ainda não mapeados. Décimo‑quarto, a educação financeira nas escolas deve incluir módulos sobre ética digital. Décimo‑quinto, somente com um esforço conjunto poderemos quebrar o ciclo de promessas vazias e proteger os consumidores de golpes cada vez mais elaborados.

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    Thais Xavier

    dezembro 9, 2025 AT 16:22

    Que drama! Parece até série de TV, mas é a vida real. Os influencers que se acham deuses da internet agora têm que enfrentar o juiz remoto da polícia.

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    Elisa Santana

    dezembro 26, 2025 AT 13:58

    Vamos lá, galera! Não deixem que promessas de dinheiro fácil te derrubem. Se curte apostar, procure plataformas reguladas e jogue com responsabilidade.

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    Willian Binder

    janeiro 12, 2026 AT 11:34

    Um verdadeiro circo de opulência e caos.

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    Arlindo Gouveia

    janeiro 29, 2026 AT 09:10

    É fundamental que as universidades incorporem, em seus currículos, módulos de literacia digital que abordem os riscos das apostas online. Ao mesmo tempo, as autoridades deverão criar canais de denúncia acessíveis aos estudantes. A cooperação entre academia e poder público pode gerar pesquisas que identifiquem os principais gatilhos de vulnerabilidade. Assim, será possível desenvolver estratégias preventivas eficazes e reduzir a incidência de casos similares no futuro.

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    José Carlos Melegario Soares

    fevereiro 15, 2026 AT 06:46

    Chega de baboseira, essa operação mostrou que o sistema está cheio de falhas e quem realmente controla o jogo são os poderosos invisíveis. Não aceitem mais essas narrativas de "justiça" que servem apenas para proteger os verdadeiros culpados.

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